Ice Cream Version!!!

Depois de doze horas de vôo e toda aquela rotineira palhaçada de tirar sapatos, roupas e andar praticamente pelada pela polícia federal, cheguei em Denver (Colorado) em Dezembro do ano passado. Atualmente no meio das montanhas congeladas de Winter Park moro e trabalho em um resort chamado Snow Mountain Ranch... O Azedinho, que já existia antes da viagem, agora é mais que um blog, é o meu diário de bordo, meu canal direto de comunicação com todo mundo que ficou em alguém outro lugar do planeta esperando por mim!

That´s me!!!

Nome: Adriane Romero

Idade: 22 anos

Facul: ACABOU!!! Turismo UAM (class of 2004)

Tudo de Bom: música, NYC, cinema, correr, Disney, escrever, esquiar, horas intermináveis no clube, andar de moto (na garupa de um cara bonito), dançar, olhos azuis, Luiz Fernando Veríssimo, Beijo na boca e milkshake de Ovomaltine.

Fala Sério: filme dublado, espinha no rosto, filas enormes, calça apertada, solidão, samba, comida do Commons, meia fina e pepino

Escutando: Cardigans, Strokes, John Mayer, Jennifer Lopez, Sister Hazel, Couting Crows, Joe Satriani, Dave Mathews Band, Hanson, Skank, Paralamas, Los Hermanos, Capital Inicial e um pouco de blues.

Lendo: O Pequeno Principe (pela sexta vez... e descobrindo coisas novas!)

Best Trips:
   Disney (2002) ...as a cast member!
   Aspen (2005) ... Winter X Games
   New York (2005)... best times EVER!
Grand Canyon (Arizona) e Las Vegas (Nevada)(2005)
NYC, Massachussets e Califórnia (com direito a disneylândia)... A viagem da minha vida!

Last Trip: Califórnia

Next Trip: Flórida com o bundinha! e Vegas com o chicos!


Icq:66532300
MSN: adriane_romero@hotmail.com


Meu Álbum!

use meu login: adriane_romero@hotmail.com e senha: colorado


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Just to let you know...

Meu atual endereço é:

Adriane Romero - STAFF
Snow Mountain Ranch-YMCA of the Rockies
1101 County Road 53
PO BOX 2270 - Granby, CO 80482
Phone #: 00XX1(970) 887-2152 Ext. 3114 (quarto) ou 4200 (escritório)
  


Bittersweet...

   Porque a vida nunca é extremamente doce e nem sempre amarga, é a combinação das duas coisas que traz a força necessária pra continuar vivendo ... A inspiração veio de uma amiga minha que diz "...a vida é assim mesmo, igualzinho àquela bala, azedinhodoce"... amiga que por sinal, acabou de mandar um e-mail reclamão porque eu não coloquei o nome dela na citação, né Fabrícia??? (well, thanx Fab and GO FAB!)

Bittersweet Symphony ...


'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet

No change, I can change
I can change, I can change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
But I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

Well I never pray
But tonight I'm on my knees
I need to hear some sounds that recognize the pain in me
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now
But the airways are clean and there's nobody singing to me now

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
Try to find some money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the things meet yeah

LAYOUT POR
Will & Adri





Sábado, Janeiro 14, 2006

Enquanto isso no rancho da montanha de neve ...


   Duas e dez da manhã, treze brasileiros acampados na frente do RH pra assinar a lista da viagem de Aspen e eu acordada, querendo estar em qualquer lugar menos aqui. Desde que o ano começou tudo está drasticamente confuso. Minha mãe estava certa quando disse pra deixar a lama secar, uma tentativa frustrada atrás da outra com a intenção de resolver qualquer coisa que estivesse errada, acabou por destruir aquela insignificante chancezinha de reconciliação e palmas pra mim, que pela primeira vez acabei com um relacionamento por conta própria.
   Quem vê de fora deve estar achando que eu fiquei louca, as vezes até eu duvido da minha sanidade mental, tenho ficado cada vez mais sozinha, e nem tenho achado tão ruim! Tenho esquiado muito também, até mesmo porque esse tem sido o único jeito de liberar a raiva de mim mesma e do resto do rancho da montanha de neve... Numa dessas saltei um corrimão com os skis e depois de voar alguns metros no que poderia ter sido o mais bem sucedido salto da minha vida, me espatifei no chão de modo a perder os skis, o fôlego e o movimento do joelho esquerdo. Fiquei lá, estirada na neve vendo outros loucos melhores que eu pularem por cima de mim sem misericórdia alguma!
   Ficar com dor, faz com que a gente perceba o quão sozinho está nesse universo congelado no meio do nada... mas tenho me virado bem, coloquei uma neve no joelho e ele já está bem menos inchado, e como meu pescoço já vira uns quarenta graus pra cada lado, tenho planos de esquiar semana que vem! Ahhh e com meus skis novos!
   Mais brasileiros estão chegando, minha roomate também já conseguiu o visto, logo a suíte presidencial do Blue Ridge será habitada por alguém além de mim e vai ser bom ter a Macarena por perto novamente!
   Pra encerrar a lista de frustrações, devido à trágica situação do meu joelho, um guardinha caridoso me ofereceu uma carona pra casa depois do trabalho, o pobre estava todo feliz com o carro novo... eis que ao entrar no carro, olho pro chão e vejo um bucado de arroz... Eis que aquele era o meu carro!!! Inteirinho, brilhando, com uma sirene e uma faixa escrito `security`... Aí que aperto no peito, se eu não tivesse saído de carro aquele dia... Mas como levar uma vida cheia de `ses` não vai me levar a lugar nenhum a não ser ao Blue Ridge de carona no carro que um dia já foi meu, tentei não pensar, prometi o cd do carro pro guardinha, peguei meu novo par de skis e subi mancando pro meu quarto... A vida no rancho da montanha de neve já foi mais fácil!

[postado por Adriane - 7:41 PM]


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Domingo, Janeiro 01, 2006

E quando o ano começa assim...

   Fim de ano alcólico no tão puritano e cristão rancho da montanha de neve. O Blue Ridge amanheceu com um buraco na parede em cada andar e um bem maior dentro de mim. E eis que começa mais um ano, provavelmente o meu último no Colorado.
   Queria conseguir lembrar em que parte do passado eu esqueci de ser a pessoa que eu sempre fui e me tornei a pessoa que está deitada na cama digitando o texto mais cheio de peso na consciência da história bloguística do Azedinhodoce... É estranho como coisas que aconteceram há tanto tempo refletem no que você se torna sem que você nem perceba... E eu derepente perdi toda a fé e a confiança em mim e em todo mundo... que pra não me deixar machucar como daquela vez que já faz tanto tempo que eu nem deveria lembrar, virei uma neurótica pisicótica que não mais acredita e que cria conspirações diabólicas na mente de todo mundo. Eu lembro que não entendia porque eu era sempre a pessoa que escutava a explicação e o pedido de desculpa no dia seguinte, hoje de manhã eu preferia estar daquele lado de sempre... eu criei conspirações diabólicas na mente de quem eu não devia, eu preferia ter sido magoada a ter magoado a pessoa errada! Minha mãe disse que é melhor deixar a lama secar, porque aí fica mais fácil de limpar... minha mãe nunca deve ter limpado lama na vida!

[postado por Adriane - 11:02 PM]


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Domingo, Dezembro 18, 2005

blablabla... cause we feel apart...


Hoje quando cheguei em casa ouvi minha vizinha contanto umas estorias inéditas sobre a minha vida (des)encantada no reino mágico da montanha de neve pra uma platéia de novatos. Nada do que ela falou e eu fiquei ouvindo por entre a parede de isopor que divide nossos quartos deveria ter me afetado... eu sempre ignorei esse tipo de coisa, interpretei a individualista egoscêntrica muito mais do que a pobre coitada e sempre soube dos meus valores e caráter independente de qualquer conto de fadas (ou de bruxas malvadas) que as pessoas pudessem contar. Acho que me incomodou dessa vez porque eu gosto demais da platéia que tava lá rindo sem saber porquê.
É uma pena que o mundo esteja cheio de contadores de histórias hipócratas, sem estilo e com uma criatividade malígna... é uma pena que eu tenha me deixado afetar dessa vez... Porque a gorda com a pança de fora já foi menos babaca... eu devia ter pulado em direção à parede... fazendo um buraco desses de desenho animado, sentado no chão, abaixando a cabeça num zigzague em looping infinito repetindo: 'Não acredito... não acredito!' olhando pra cara dela e dando risada.
Tenho saudade da Disney, onde brasileiro era tudo brasileiro, amizade num tinha cor e todas as pessoas tinham uma cara só... quero voltar pra bolha, tô cansada de vida real!
Uma onda digna de Tsunami em praia afrodisíaca andou destruindo os bons sentimentos deste lugar e levando o bom senso e a política da boa vizinhança por água a baixo... boatos (ou não) de preconceito racial, maldades dignas de filme de serial killer e até uma lista feita por seres do além (já que até agora nenhum grupo terrorista assumiu a autoria) congelaram ainda mais os corações de quem queria ou não se involver e agora rola montanha abaixo junto à bola de neve! É mais vergonhoso ainda que não exista união nem mesmo entre o nosso povo... e eu com vergonha me incluo no meu próprio paredão de artilharia quando adimito não fazer questão de 'unir' com certos seres tupiniquins! Espero de verdade se um dia eu for julgada por minhas atitudes (e pela falta de...) que Ele consiga ver através da grossa camada de gelo que eu criei pra não deixar o que ainda tinha de bom apodrecer ... que as pessoas crescidas deixem de acreditar nos contos de fadas... que eles entendam, mesmo com o pouco tempo, como tudo realmente funciona neste lugar, e que nos ajudem a mudar!

[postado por Adriane - 10:31 PM]


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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Estado do Colorado vs Adriane Romero
O que foi escrito e nunca antes publicado!


   Mais de dois meses após o fatídico acidente envolvendo o carro, a árvore, um babaca que chamou a políca, dezenas de pílulas para dor de cabeça, centanas de orações e uma noite longa e agitada eis que chega o dia da audiência.
   Tomei café, sem ainda conseguir engolir essa história toda, coloquei qualquer roupa e tirei meu talão de cheques da gaveta pela primeira vez desde que voltei para os EUA. Olhei uma última vez para a minha carteira de motorista, sentia um frio na barriga que se estendia quase até o local onde supostamente estariam minhas amídalas, se elas não me tivessem sido retiradas atravéz de uma intervenção cirúrgica quando ainda criança, faltava alguma coisa, me ajoelhei, minhas preces foram diferentes desta vez. Andava de um lado pro outro, segurando uma bolsa e uma jaqueta quando o barulho da buzina ecoou pela janela do terceiro andar onde vivo. Desci as escadas promentendo pra mim mesma em alto e bom som que não me deixaria abater independente do que acontecesse, respirei fundo e entrei no carro.
   Já familiarizada com o local, com os sujeitos estranhos e um guarda com síndrome de apresentador de talk show em horário nobre segui em direção ao sistema judiciário Norte Americano... Como desta vez estaria sendo auxiliada por um defensor público, tudo pareceu mais organizado e apenas 35 minutos se passaram até que um sujeito de terno com cara de advogado e bota de cawboy adentrou o recinto. Eu me sentia idiota por precisar de um advogado num caso contra uma árvore e tinha vontade de rir toda hora que olhava pro pés dele (maldita hora que a Marcela foi citar a bota), mas escutei atenta tudo que ele falava a cada um de seus clientes, em pânico por não entender nem a metade. Quase por último ele chamou meu nome com sotaque, se aproximou e disse que haviam concordado em me liberar das duas acusações mais graves se eu me julgasse culpada da mais leve que era dirigir rápido demais. No começo fiquei um tanto quanto contrariada: de todas as acusações essa era a menos verdadeira, mas como era a mais barata, aceitei!
   Levantei a mão direita e jurei dizer a verdade nada mais que a verdade... esperei a juíza detalhar o caso e me declarei culpada com todas as letras (pelo menos são menos letras em inglês). Respirei fundo, aqueles três meses terminavam ali, declarei também o final dos ataques de choro, das crises de ansiedade regadas a brownie de chocolate e de tudo de ruim que essa história ridícula trouxe par minha vida na terra do Tio San...
   Perdoei a árvore, o babaca e a mim mesma a tempo de ouvir a juíza dizer que o total de minha multa seria de sessenta e nove dólares! O meu eu interior dava pulos de alegria que quase me faziam saltar de verdade, o que são 69 dólares perto dos 1500 que teria que pagar inicialmente? Ou melhor o que são 69 dólares perto de todo o nervoso, do todas as noites de choro e de todas as minhas brigas com Deus? Teria até dado um beijo na boca do advogado se ele num tivesse usando aquelas botas ridículas... Paguei o que devia para os Estados Unidos e voltei pra casa a ponto de encontrar meu gatinho e comemorar a boa notícia... Estava livre de novo!


   Nem eu sei porque não publiquei o texto quando tudo aconteceu, as coisas agora estão bem diferentes, o acidente é passado, o gatinho é passado e os brownies de chocolate são passado também. Passei cambaleando, mas passei, recuperei a grana, perdi o peso e viajei pra Califórnia! Desses três meses que pareceram uma vida eu já escolhi esquecer tudo ... quer dizer, tudo menos a lição e como já dizia aquela minha boa e velha amiga:"Nada como tempo pra transformar uma tempestade num copo d'água"

[postado por Adriane - 6:26 PM]


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Terça-feira, Dezembro 06, 2005


525.600 minutos! Como se mede um ano?

   Em flocos de neve, em copos de café, em pessoas, tombos, beijos ou viagens?
   Em pratadas de purê de batata, em descidas na Mary Jane, na quantidade de roupas que ficaram pequenas (tá, apertadas!) ou em moedinhas de 25 centavos gastas na lavanderia?
    Em conquistas? Em folhas de alface? Montanhas? Despedidas ou check-ins?
   Em dólares, aeroportos, verdades, pontos de vista ou fofocas? Em risadas... em lágrimas... sorrisos ou gargalhadas?
   Em horas de overtime, em cartões telefônicos, em caronas ou em dias sem quebrar o regime? Em aparecimentos de running bears, mountain lions ou mother fuckers?
   Em amigos, em músicas, em abdominais ou e-mails? Em staff trips, hip hops, em achados e perdios ou cereais matinais?
   Em days off, em quilômetros, em milhas, em dias de sol ou pores do sol? Em planos, em privadas, em fotos ou cervejas?
   Em lifts, em warnings, em derrotas, em 'sins' ou 'nãos'? Em orações, em suor, em certezas e saudades!?!

   525.600 minutos, centenas de pessoas, de dúvidas e de histórias... 13 estados, 7 roomates, 4 estações, 5 'casas', 4 departamentos e meia duzia de verdadeiros amigos! 525.600 minutos de uma vida boa e ruim, azedinha e doce, fácil e difícil, longe e perto, fria e quente, triste e FELIZ ... 525.600 minutos DIFERENTES DE TODOS EM UM ANO DE RANCHO DA MONTANHA DE NEVE!

[postado por Adriane - 5:05 AM]


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Quinta-feira, Setembro 29, 2005



Será que eu ainda consigo?

   Se é verdade que notícia ruim chega depressa, falta de notícia deve ser sinônimo de qualquer coisa boa! Portanto volto aqui depois de um longo período de abstinência sem muita culpa e sem jogar ninguém no paredão de artilharia, prefiro assumir que sumiram pelo mesmo motivo que eu, e que vão voltar!
   Ventos congelantes, pancadas de chuva e o cheiro de chocolate quente saem nas ruas agasalhaados derrubando folhas e decretando o final do verão. E que verão! Eu voltei a ser eu (com o peito maior, a bunda maior, a barriga pouco menor, no entanto ainda maior, mas EU), fiz as pazes comigo, descobri o Buckets quando todo mundo já estava enjoando dele, corri demais, trabalhei a mais e dancei no meio da floresta, vi um urso, assei marshmellows na fogueira, Beijei! Tive 3 meses de vida de desenho animado...Vida de Zé Coméia e Pica Pau, sem comerciais!
   Foi bom, até que as pessoas após conquistarem seus objetivos (na emasgadora maioria das vezes isso se resume a uma câmera digital e uma viagem pra Las Vegas) comecaram a partitr... Uma a uma! A temporada de despedidas foi longa, mas acabou, assim como o verão!
   Agora é Outono, o primeiro de uma vida. O amarelo preguiçoso de algumas folhas aparece atrevido em meio a todo o verde e vai aos poucos tomando conta da paisagem, folhas secas parecem terem sido colocadas estratégicamente e decoram chão fazendo com que eu caminhe figurante num cenário de filme de sessão da tarde. O som das gotas finas matraqueando vidros e o cheiro de terra molhada tentam de todo jeito me convencer a abdicar aquelas 8 horas de overtime e tirar uma soneca, mas o dever me chama...
   22 anos de espera, tudo bem, porque o Outono é lindo... Lindo!

[postado por Adriane - 11:27 PM]


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Quinta-feira, Julho 21, 2005

Você meu amigo de fé meu irmão camarada ...


  Hoje de manhã fui surpreendida por diversos e-mails que, uns mais sentimentais que outros, comemoravam um tal de `dia do amigo' ... Agora virou moda, e se existe dia da avó, do amante, do funcionário público ... porque não celebrar o dia do amigo? Se você for no google e digitar `amigo` em uma procura de 0.05 segundos, vai encontrar 6.780.000 links... todo mundo nessa vida tem pelo menos um amigo e se a moda pegar, o dia do amigo vai ser felicidade garantida não só pros seus amigos, mas principalmente pras vendedoras de shopping centers e livrarias on line!
   Algumas pessoas dizem que amigo é a família que a gente pode escolher... há quem diga que são anjos enviados por Deus pra cuidar da gente (porque só assim o cuidado pode ser tão especial e personalizado, que inclui falar mal da nossa roupa e tirar sarro da nossa cara quando, por um bom motivo ou não - na maioria das vezes, não - beijamos aquele cara (o feminino tb é válido) horrendo na balada!
   Aquele poeta, pouco famoso que por volta do século XVI atendia pelo nome de Shakespeare (leia-se Xeiquispir), disse uma vez que não precisamos mudar de amigos, se entermos que os nossos amigos mudam, se ele num tivesse morrido em 1616 eu poderia jurar que ele conhecia meus amigos e se inspirou neles ... Eis que o mestre seguia dizendo que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoá-lo de vez em quando e é preciso perdoá-la por isso, então aproveitando a deixa eu gostaria de pedir perdão e dizer que perdoo ... cada um de vocês - inclusive o Celso, o Edu e o Erisson por terem mandado aquele poema da pedra dias depois de eu ter batido o carro ... amo vocês mesmo com esse humor negro de bolinhas verdes meio retardado que devem ter aprendido comigo!
   Amigo virtual, colorido,imaginário, secreto... amigo é sempre amigo e é triste aceitar que eles vem e vão, sinto saudades de todos os meus amigos, até daqueles dos quais eu num devia sentir . As vezes eu sinto saudades de mim quando penso em um amigo que perdi!
   É engraçado pensar que meus amigos de hoje são pessoas que nunca pensei em ter ao meu lado... Você por algum acaso tem amigos do Kazaquistão? da Maldovia, da Coréa do Sul, do Gambia, Zambia e outros paises que é até difícil achar no mapa? pois eu tenho! Pode parecer exagero, mas entre amigos, meio amigos e (ini) migos devo conhecer gente de uns 50 países diferentes! Um amigo não substitui o outro, porém, e eu as vezes me pego chorando de saudades daqueles que estão longe. Distância é relativa eu vou tentando diminuir do jeito que eu posso, infelizmente algumas só Deus sabe quando vão acabar! O bom de tudo isso é que o Próprio, vai se encarregando de sempre colocar gente nova no meio do caminho, que é pra eu sentir saudades dos meus amigos, mas num ficar sozinha nunca!

Para todos os meus amigos imaginários ou não... de longe ou de perto, nesse mundo ou em qualquer outro lugar ...vai aquela canção (mentalizem neste momento a minha pessoa cantando com voz de Roberto Carlos e vocês vestidos de Erasmo na platéia): '... vc meu amigo de fé meu irmão camarada ... '

      Feliz dia do amigo, em especial pra aquelas pessoas que são mais do que um simples pedacinho de mim: Erisson (u had to be the first, right?) Fab, Lane, mãe, Celso, Dú, Amandita, Sulti, Cris e Rafa! Miss you guys so bad!

[postado por Adriane - 11:50 AM]


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Domingo, Julho 10, 2005

Não importa em quantos pedaços seu coração seja partido, o mundo não pára para que você o conserte!


   Em pleno o verão das montanhas, que já dura tão pouco, sem perceber, saí de órbita... dormi pra não ficar acordada, trabalhei pra não ter que dormir 24 horas seguidas e comi pra ver se meus problemas se perdiam em meio a calorias e carboidratos... Não sei se tive um verão congelante ou se me enfiava debaixo das cobertas que era pra me esconder do bicho papão da realidade. Poucas pessoas - aquelas que eu vou guardar naquela caxinha redonda, que o povo chama de círculo de amigos - perceberam o que acontecia comigo aqui tão longe e em paralelo à CPI dos Correios e ao Mensalão do PT. Ainda assim, acho que nem ao menos essas poucas tem idéia da falta de ar, da avalanche de lágrimas, das minhas brigas com Deus e da vontade de pegar um avião que me levasse pra sempre pra lugar nenhum... mas PASSOU!
   Nem tudo se resolveu, bombas em outro continente provam que o mundo tá longe de ficar perfeito, a CPI continua junto com o verão, mas o ar tem voltado aos poucos em meio as caminhadas e correrias por aí e como eu tô perdendo tanto líquido suando, decidi economizar e parei de chorar! Se isso além de 'quebrar a cara' significa um pedacinho do que é crescer, se foi preciso tudo isso pra ganhar aquela tal de experiência necessária para que o futuro me transforme numa pessoa notável, PRONTO! Eu passei... Talvez eu não tenha passado com a minha honra e o meu orgulho intactos, talvez nem tenha sido como eu desejaria ter passado, mas passei! Passei cambaleando, caindo, me arrastando, mas que importância isso tem, se finalmente EU PASSEI! Mesmo que com o semblante desanuviado, o coração esquartejado e a fé na capacidade solidária do ser humano questionada... Eu tô aqui ó... acordada e comendo salada, trabalhando porque eu sou boa pra caramba no que eu faço numa língua que eu peguei emprestada e nem pretendo devolver! Pode voltar a ler o blog, prometo que ele terá de volta suas características doces, embora a vida se encarregue de mandar umas azedinhas vez ou outra. Pode olhar pra mim sem ter vontade de me colocar no colo, porque se o verão ainda num acabou, se a vida continua, é sinal que dá tempo de consertar as coisas, colocar um BandAid no que ainda tá machucado e continuar rezando pra que as bombas acabem e as crises do mundo se resolvam!
   Se um dia eu decidir escrever um livro, acho que vou me fazer um pouquinho mais forte, só um pouquinho mais corajosa e é lógico, vou colocar um galã de olhos azuis pra me confortar depois de um dia ruim... Mas não vou mudar o resultado final... Não vou esquecer dos amigos que ligavam no meio da madrugada pra ver se eu ainda num tinha perdido a bilis e o suco gástrico te tanto chorar... Vou escrever nele que meu pai, que nem é dessas coisas, se ajoelhou no chão numa noite dessas e pediu pra Deus fazer as pazes comigo... vou escrever que embora eu ignorasse, Deus me dava todas as provas de que eu estou aonde eu deveria estar e de que Ele tá pertinho de mim, mesmo que fosse em forma de raios de sol, de passarinhos e esquilos, de águas transparentes de rios e flores silvestres de montanhas! Vou escrever sobre um personagem chamado Mãe, que sofreu junto comigo, que disse as coisas certas e me mandava comer menos e beber mais água...
   Ninguém ganha dinheiro, perde 10 kg, se apaixona e compra um carro novo de um dia pro outro... e só Deus sabe como eu sofro por não ter paciência de esperar... a verdade é que tudo isso nem é o mais importante... a história num tá nem no meio e esse meu livro é uma co-autoria que só Ele sabe como vai terminar!

[postado por Adriane - 4:37 PM]


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Segunda-feira, Junho 20, 2005

Feliz dia dos pais pra mim!!!


   Já passou da meia noite no Brasil... 20 de Junho de 2005, dia dos pais aqui nos EUA e eu completo - meio que contra minha vontade - 22 anos... Estava aqui lembrando de mim com 7, quando no auge da minha inocência juvenil, fantasiava que eu podia ser pequena naquele momento, mas que com 22 eu seria grande, forte e teria as respostas para todas as coisas! Quase meia noite aqui no meio do nada e eu, velha demais pra saber de todas as coisas, continuo fantasiando e achando que com 44 eu vou ser grande e forte!
   Minha mãe, que é responsável por 95% do que eu sou hoje, escreveu este texto que eu, toda orgulhosa, vou postar aqui só pra provar que mãe é tudo igual, mas que a minha é a melhor de todas!

   O dia do seu aniverssário é um dia muito importante pra mim, lembro que um dia antes trabalhei muito e estava muito cansada. Me deitei cedo, fiquei por muito tempo conversando com você com a certeza de que você me ouvia e me respondia esticando-se toda na minha bariga. No outro dia você nasceu, interessante que eu já conhecia seu rostinho. Fui levar você pra tomar a primeira vacina, te troquei com muito cuidado: você estava vestida com um macacão lilás de rendas brancas e um laço na cabeça. Quando entramos naquele posto de saúde todos olharam pra você e naquele dia eu tive orgulho de você pela primeira vez!
   Depois disso vieram infinitos dias de orgulho, muito falante, curiosa, mandona e inteligente, você aprendia tudo com muita facilidade... escola, ginástica olímpica, natação, computação...Eu sempre me esforçando pra mantê-la na escola particular porque você merecia! Um dia veio a crise financeira e tivemos de colocar você numa escola do governo, no primeiro dia de aula estava aguardando a sua volta anciosa e pensando que você ia detestar a escola, quando para minha surpresa você chegou contente dizendo que a escola era legal, grande e que você já tinha até feito uma amiga (coisa que sempre foi dificil pra você... até hoje ). Depois vieram os 50% do Eniac que você conseguiu com louvor e manteve os três anos, a faculdade,a Disney, o trabalho no aeroporto e o COLORADO ... Aí está você longe de mim e eu continuo aqui com um orgulho danado da minha filha.
   Quero lhe dizer que você é tudo de bom que uma mãe sonha de um filho, não desista minha filha, nunca! Esteja feliz e eu também vou estar! Que Deus te abençoe neste dia 20/06... dia que nasceu a minha princesa! Fica com Deus! Que a paz de Deus esteja com você!


Tá vendo porque eu não posso desistir? Porque não é qualquer pessoa e sim a minha mãe que tá pedindo... Ela que me ensinou tudo que eu sei (exceto umas coisas que aprendi com meu pai ou que a vida acabou deixando eu aprender sozinha)... Minha mãe que é forte e que ligou o computador pela primeira vez quando eu entrei no avião e já desvendou - com muito custo e honrra, né mãe? - os mistérios dessa coisa da tecnologia chamada internet. Ela usou tudo isso, pra de lá bem de longe, me mandar esse e-mail... que foi, sem dúvida, a melhor coisa que eu ganhei nesse meu aniversário!
E fica o meu esforço, para um dia... com 44, 56 ou 88 chegar o mais próximo de forte e grande que eu conseguir, pra assim ter certeza de que não é preciso saber de tudo, quando existem pessoas como essa, pra me segurar - nem que seja telefônica ou telepaticamente - quando eu cair e depois me dar todos os motivos pra leventar e começar de novo! Mãe, eu juro que, por você, ano que vem eu compro um sapato com um salto maior, só não comprei esse ano, porque ele iria atolar aqui na neve e encher de barro!) Parabéns por ter uma filha como eu, te amo demais por isso (risos)

[postado por Adriane - 2:44 AM]


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Sábado, Junho 18, 2005

Dying to be alive!


  Para comprovar que ainda estou viva e desabafar simultâneamente eis que depois de um mês de abstinência bloguística decidi dedilhar umas linhas aqui. Das outras vezes, a minha abstinência estava sempre relacionada a qualquer coisa de melhor que eu tinha pra fazer, pois desta vez, sumi porque tinha algo pior pra fazer ... Depois de todo o episódio 'Adriane sem noção bate seu carro novo na árvore' e de todas as especulações a respeito - pois é, eu estava bêbada, tirando racha, com uma carteira de motorista falsificada e dando cobertura pra um agente russo imaginário- a policía chegou (ahan, chamaram a polícia!) e como resultado, terei que ir a julgamento no dia 28... talvez eu seja executada na cadeira elétrica por assassinato vegetal culposo, mas meus advogados acreditam que minhas chances são grandes já que eu não derrubei a árvore, só estraçalhei foi o carro mesmo!
   Como eu não sei ficar sentanda esperando meu problema bater o cartão depois do expediente e ir embora, e até mesmo porque eu teria cortado os pulsos com uma faca de plástico se tivesse ficado muito tempo no quarto sozinha, me candidatei para todos os overtimes possíveis, trabalhei 14, 16... 17 horas por dia até não mais conseguir ficar com os olhos abertos e todas as toalhas da lavanderia estarem dobradas! Recuperei o dinheiro que perdi na missão de auxílio ao espião russo... e continuava dizendo pra mim que aquilo iria me ajudar de alguma maneira, a verdade é que depois de um mês de aprofundado estudo sanitário, ainda não entendi em quê tanta lavação de privada vai me ajudar a crescer na vida... e por mais que existam males que venham pra bem, todos os meus, até o presente momento, vieram pra mal mesmo. Desbravei o sub-mundo do trabalho humano... ou melhor, o mundo do trabalho sub-humano! Trabalhei na limpeza, lavei pilhas de louça, fritei hamburguer num churrasco pra 200 pessoas (isso mesmo: Hamburguer! Ou você esqueceu que estou nos EUA?), dobrei toalhas e mais toalhas e tudo isso concomitantemente ao meu emprego no front desk... tive o treinamento de auditora norturna (dormir pra quê?) contar dinheiro dos outros é ainda mais humilhante quando se está pobre ... e eu não podia deixar de pensar que estava mais quebrada que o carro!
   Sobrevivi, de fato, mas isso não faz com que eu me sinta melhor ou merecedora de qualquer coisa que você venha dizer da boca pra fora só pra me agradar! Conheci pessoas que talvez eu passasse 18 meses sem conhecer, meu inglês deve ter regredido, já que tive que tirar todas as preposições e usar apenas um tempo verbal para que a comunicação com os sul coreanos fosse realizada com sucesso... Talvez tudo isso seja Deus disfarçado de árvore pra me deixar mais humilde pra ver o lado que eu estava destinada a ver quando cheguei e acabei não vendo... Agora que eu já vi, bem que Deus poderia colaborar né?

[postado por Adriane - 1:54 AM]


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Segunda-feira, Maio 23, 2005

Tinha uma pedra no meio do caminho...
E o foda é que depois da pedra, tinha uma árvore!


   Quanto tempo sem escrever, quanta história pra contar! Eis que por 10 inesquecíveis dias tive o privilégio de dormir na minha própria cama, comer da comida da minha própria avó e desfrutar da melhor compania do globo terrestre: O MEU POVO! Baladas de verdade, churrasco, sol, pudim de leite, novela e PRAIA !
   Volto a tempo de ir na graduação dos antigos internacionais e a coisa foi mais ou menos assim: congratulations blablabla... speech to Tom... blablabla, look at the snow `outside` the window... blablabla, we are survivers...blablabla! Olha que quando o Tom fala, soa literalmente como blablabla pra mim!
   No dia seguinte o silêncio tomou conta do Y com a notícia triste do fim da jornada de uma pessoa tão querida nesta terra e foi complicado esquecer, acho que prefiro acreditar que a saudade que eu sinto é resultante de uma distância menor, que ele está por aí, pelo mundo e que podemos ou não nos encontrar um dia, se o destino deixar! Quando estas coisas acontecem elas nos fazem parar pra pensar o que é tão óbvio, mas que nem sempre paira nos ares da nossa cabeça... Queria ser uma pessoa melhor!
  Mais uma semana se passou, a neve se foi e nesse meio tempo comprei um carro, tirei uma carteira de motorista provisória e estava feliz da vida! Tudo certo no Front Desk, eis uma das coisas erradas que depois de um tempo me parece uma das mais certas! E eu estava feliz! O caminho do Commos parecia mais bonito, qualquer música mais divertida e acordar de manhã pra trabalhar na manutenção tinha lá o seu 'quê de satisfação'! O meu Explorer Verde era grande demais pra mim e eu estava feliz!
   Pro bem ou pro mal sexta-feira seria o dia do primeiro casamento do verão, a movimentação era grande! Não foi tristeza, mas sim saudade da correria casamenteira, de véu e grinalda, de votos eternos e noivas estressadas, que me levaram a dirigir até o Columbine Point no meu horário de janta. Acho que queria ver se estava tudo certo, se os preparativos estavam em ordem, se ela era mesmo tão boa como falavam! Tudo me pareceu normal, escutei umas duas músicas, fiquei um tempo adimirando as montanhas, os pássaros, o lago e decidi voltar pra realidade, o front desk estava curiosamente corrido sexta feira e eu não queria irritar ninguém chegando atrasada!
   Com meu óculos de sol e janelas abertas eu ouvia uma música qualquer e seguia pela estrada de terra. Queria conseguir detalhar o que aconteceu, mas foi menos de um segundo, uma pedra e uma árvore! Parecia reprise de novela, quando o personagem principal pensa e você consegue ouvir: `Não... Não... Isso Não!!!!` Bummmm! Lá se foi meu carro verde e grande! Encostei a cabeça no volante tentei abrir a porta, tive aquele momento sexto sentido de pegar no meu braço para ter certeza de que estava mesmo viva e de que meu corpo não estava jogado no banco do carro.
   No meio do nada, pela primeira vez em seis meses senti falta do meu telefone celular. Queria gritar, só pra variar, ninguém ia ouvir, então, meio desorientada, segui a pé pela estrada de terra. Lá na frente umas pessoas caminhavam e gargalhavam - eu não estava mais feliz - as gargalhadas cortavam meus ouvidos como Gillete Sensor for Women e eu me senti a própria Deborah Secco numa cena qualquer dessa palhaçada de novela das oito... Os minutos passavam mas o cenário não mudava e por mais que eu aclamasse pelos comerciais, a mocinha continuava sofrendo! Uns vinte minutos depois, cheguei no telefone mais próximo - o telefone mais próximo é sempre muito longe - Não conseguia chorar, sentei no chão e esperei o segurança chegar. No caminho pro local do acidente eu explicava em inglês que 'tinha uma pedra no meio do caminho... No meio do caminho tinha uma pedra...' meio que traduzindo aquela droga de peoma sem sentido, e eu que já não gostava muito de Carlos Drummond, naquele momento seria capaz de jogar uma pedra bem na testa do infeliz! O pobre do segurança me levou pra casa tentando contar milhares de histórias de acidentes quaisquer que, com certeza, ele estava inventando e eu não estava escuntando. Só conseguia pensar no meu saldo bancário, na quantidade de dinheiro que eu tinha perdido numa curva idiota e foi então que comecei a chorar! Chorei por umas duas horas e voltei ao trabalho... Foi complicado trabalhar, mas voltar ao meu quarto foi ainda pior. Acho que nunca me odiei tanto, queria pensar em algum motivo pra me convercer de que aquilo poderia ser bom de alguma maneira afinal, tudo tem o seu lado positivo. Tomei uma asprina, joguei o som do carro no chão... queria ligar pra minha mãe, se ao menos eu conseguisse terminar uma frase sem desabar em lágrimas talvez o tivesse feito! Sem muita opção, fiquei na cama olhando pelo vão da cortina e vendo a mesma cena milhares de vezes... ugh, eu podia ter matado um veado ... ou alguém e esse alguém podia até ter sido eu! Parei de chorar por uns cinco segundos e agradeci a Deus, lógico que depois eu voltei a chorar!
   Tudo tem um motivo pra acontecer, queria ter aproveitado mais o meu carro, mas naquele segundo eu cheguei a conclusão de que talvez, apenas talvez, aquilo tenha sido o melhor que poderia ter me acontecido e comecei a me acalmar!
   Tive que começar tudo de novo, as primeiras caminhadas pro Commons me fizeram chorar! Desde então tenho trabalhado 14 horas por dia, acordar cedo pra ir pra manutenção não tem mais absolutamente nada de agradável e eu ainda não sei o que vou fazer com o dinheiro de tanta hora extra, mas prefiro ter meu corpo cansado e a mente ocupada e so for pra pensar, vou continuar pensando que talvez isso tenha sido o melhor que poderia ter me acontecido e vou, mesmo sem saber porquê agradecer por ter socado o meu carro novinho e sem seguro no meio da porra da árvore (eu sei... parece bem retardado esse comentário). Um amigo meu, quando soube do acidente, citou Nietzsche que disse que tudo que não nos mata, nos fortalece, ou seja, eu devo estar praticamente uma fisioculturista agora! Se esse cara tem razão eu não sei dizer... mas ai eu lembrei daquele outro: `tudo que não mata engorda` e esse sim é verdade, fiquei tão nervosa com tudo isso que comecei a comer tudo que via pela frente... tive que aumentar a quantidade de glicose no meu sangue! Aquela droga de acidente não me matou e com certeza vai me engordar!
   Vocês que estão longe, relaxem! Eu vou continuar vivendo, perdi o carro e naum as pernas... daqui uns dias vou ficar bem!

[postado por Adriane - 11:28 PM]


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Sexta-feira, Maio 13, 2005

NEVER take anyone for granted!


   Quando ninguém mais tinha paciência, ele me ensinou a esquiar, foi o primeiro a me fazer perceber que eu não odeio os argentinos como me fizeram pensar e o Bay 0, depois de uma guerra de farinha, ele me ajudou a limpar! Já sinto saudades do seu sorriso quase gargalhado, do seu espanhol arrastado e do seu passo de dança desajeitado! Boludo, você quebrou sua promessa, não voltou pra me visitar...
Nesta sexta feira de céu azul e temperatura positiva, O SMR está de luto e sua imagem permanesse congelada em nossos corações!



"Quando alguém que está longe morre, é como que se a distância acabasse. Ele não está mais longe!"
Adela Gaona (13 de Maio de 2005, CO-USA)



   Julian morreu dormindo em seu apartamento devido a inalação de monóxido de carbono domingo passado, na Argentina... Só ficamos sabendo hoje! Nunca vamos esquecê-lo!

[postado por Adriane - 3:56 PM]


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Terça-feira, Maio 10, 2005

Porque morar no aeroporto já virou hobby!


   Dizem por aí que a melhor parte de qualquer viagem, independente do destino, é voltar pra casa... no meu caso isso é um tanto quanto relativo. Qual parte da viagem eu devo considerar como 'voltar pra casa'? Se lar é aonde mora o coração da gente, então eu comecei tudo de trás pra frente e voltar pra casa foi muito bom ... Agora se lar é aonde estão nossas roupas e não nosso guarda-roupas ... se é onde dormimos fisicamente e não com o que sonhamos, estou agora no portão 611 east do Aeroporto Internacional de Denver esperando minha carona pra casa, e nem de longe, essa é a melhor parte da viagem!
   Por aqui, tudo parece igual, estou sentada no mesmo banco que sentei seis meses atrás enquanto esperava pelo Diogo ... vinte graus a mais na temperatura do lado de fora e vinte borboletas a menos no meu estômago do lado de dentro, fora isso, a sensação é a mesma! Vou sentir falta da badalação, das milhares de pessoas me ligando e satisfazendo todas as minhas vontades, dos beijos e dos cabelos brancos (agora negros) da minha mãe ... das comidas de verdade, das baladas de verdade... DOS AMIGOS DE VERDADE! Obrigada por me receberem de volta... por dizerem que eu posso ficar e por me deixarem ir... tenho todos vocês 'congelados' na minha memória!!!

   É lógico que vou escrever mais e colocar as fotos aqui ... esperem só um pouquinho!!! Rever todos vocês, foi sem dúvida o melhor da viagem... vou morrer de saudades!

[postado por Adriane - 12:15 PM]


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Segunda-feira, Maio 02, 2005

Na sala de espera, com complexo de Bridget Jones!

   Já se foram 3 vôos, com a minha metralhadora brazuca nas mãos e a mochila nas costas, atirei pra todos os lados ... Tentei Houston, Nova York ... Houston mais duas vezes e continuo aqui! Acabei de voltar do balcão da Continental, ouvi por lá que as chances de embarcar no próximo e último vôo de hoje são as mesmas de um homem engravidar mascando chiclete diet! Estava agüentando firme, mas confesso que quando a contabilidade aeroportuária somou sete horas e quarenta e oito minutos ameacei derrubar uma lágrima ou duas... Foi quando a imagem daquele ilustre e heróico personagem mexicano veio a minha mente e repeti para mim mesma: "calma, calma... não criemos pânico!" Pra passar o tempo, arrisquei dormir sentada de boca aberta como o tiozinho do meu lado direito, comprei um best seller qualquer e tô me sentindo mal de tanto comer cockies - por sinal, o pacote que eu tinha prometido pro Diego está sofrendo um desfalque significativo devido ao meu ataque de ansiedade... Meu regime foi a única coisa que saiu do lugar - e foi parar no quinto dos infernos!
   Estou com medo de ter que morar no aeroporto, como o Tom Hanks... Aposto que embarcar pra Kraucasia seria mais fácil que ir pro Brasil! A atendente do check-in já deve estar cansada do meu sotaque desleixado e deve estar fazendo planos pra me mandar pra China, nem que seja no compartimento de bagagens.
   Em uma tentativa extremamente frustrada em fazer os ponteiros se moverem mais rápido, comecei a fuçar na mochila e nos bolsos... A TV anunciava repetidamente uma coletiva com o presidente Bush... Achei uma nota de um real e uma ficha do Buckets no bolso da minha jaqueta... Gastei uns oito minutos tentando definir qual dos dois objetos era, naquele momento, o mais inútil... Cheguei à conclusão que podia ter gastado mais tempo, afinal isso eu tinha de sobra... E que a ficha do Buckets poderia ser bem útil se ele estivesse localizado no aeroporto internacional de Denver... Tomaria um porre literal pra esquecer do sentido figurado (neste quesito de porre... já estava quase sofrendo coma alcoólico!)
   Visitei todas as lojas de souvenires (o Word é que está dizendo que esse é o plural de souvenir) e conheci pelo menos três mexicanos que trabalhavam no Burger King... Já são quase quatro e vinte (mountain time) e este lugar está transbordando passageiro. Um tipo mais curioso que outro, e eu que pensei que aqueles carinhas com chapéu de cowboy só existissem em filme de faroeste... Consigo avistar uns três ou quatro desses e pra minha desgraça, todos eles tem um cartão de embarque com assento demarcado em mãos!
   O loiro cabeludo que estava olhando pra mim já se levantou e foi pra fila do check-in (o filho da puta também tem um cartão de embarque!)... A fila tem que andar (risos) e eu é que não vou ficar aqui sentada assistindo minha derrota mais uma vez... Vou a luta, quer dizer, ao banheiro... Retocar a maquiagem pra tentar embarcar mais uma vez, afinal, eu perco o vôo, mas num perco a pose!

[postado por Adriane - 12:44 AM]


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Quinta-feira, Abril 28, 2005

On my way HOME !!!

   After training and being trained... days off and over time... lots of prays and e-mails, I am FINALLY heading back home... not for good (it is never for good...) but definitely for something good! I can't wait to meet with my friends... kiss my bro... eat my mom's food... and listen to my grandma telling me over and over again that I should eat more because I look skinny and pale!
   All my friends are leaving again, but this time it will be easier, I' ll go first! Luv u guys and I will miss you so damn bad, but if I need sunshine, morning runs, good food, warm hugs and French Kisses... I'd better go to Brazil... This country is nice, but the people are not at all like my people!
   A walk on the beach, two or three night talks with my mom and some drinks with my friends and I'll be a fresh n' new person, ready to come back and handle one more year of Commons food, thousand languages and crazy folks!!!

I couldn't be happier!

[postado por Adriane - 2:05 AM]


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Quarta-feira, Abril 20, 2005

Chamar de preto tudo bem, o problema é xingar de argentino!


   Quem já assistiu a uma partida de futebol ao vivo em um estádio qualquer, vai ser obrigado a concordar comigo na quantidade de palavrões que se escuta de um e de outro dentro ou fora do campo. É filha da puta pra cá, porra e caralho pra lá, além de outros xingamentos que a minha ingenuidade não permitiu entender e por desconhecer o significado prefiro não citar aqui. Tudo isso fazia parte do jogo até que há uma semana, um jogador ARGENTINO resolveu chamar um cidadão brasileiro, cuja cutis não é branca de 'negrito de mierda' e pronto está feita a 'mierda'! Queixa prestada na policia e o tal argentino foi direto pro xilindró, afinal de contas, xingar a mãe do outro de puta e só mais um palavrão, mas negrito de mierda dá cadeia e é crime inafiançável, se comprovado. Tamanha injustiça com as pobres mães dos juízes de futebol!
   Eu não sou racista, não achei bonito o que o tal de Desabado fez durante seu horário de trabalho, mas também não me surpreendi quando de repente, a discussão deixou de ser o preconceito racial com relação aos negros e virou preconceito racial com relação aos nossos caros amigos `filhos da puta`, como diziam num site qualquer se referindo não apenas ao jogador boca-suja, como a todos os seus compatriotas. Quando se trata de futebol, a coisa fica ainda mais preta, ou melhor, menos branca... marronzinha ou qualquer eufemismo que você conseguir encaixar no lugar de preto (risos)... Eu é que não vou 'desabar' um trocadilho com uma palavra dessas num meio de comunição tão abrangente, por muito menos o tal jogador pegou dois dias de cana!
   Hoje no almoço por exemplo, nossa mesa estava formada por quatro argentinos e seis brasileiros que enfrentavam a comida do Commos harmoniosamente entre sí. Dentre os argentinos, o Javier, que foi quem, há dias atrás, trouxe o tema à tona! Lembro que saboreava uma deliciosa salada de alface vendo o Diogo comer pizza na lanchonete do rancho quando chegou nosso amigo inconformado, não com o fato de seu compatriota estar preso, mas sim com a desunião entre os povos... Ele dizia (em português) `entrem no site do time argentino, isso é um absurdo! Os palavrões que os brasileiros escreveram lá são muito piores que negrito de mierda'. E de fato eram! Pobre Javier, foi ler os comentários em voz alta, justo pra quem? No começo, com muita boa vontade o Diogo ainda fez um esforço e com aquela cara de sínico soltou um 'realmente', mas bastou ele concluir a leitura do segundo comentário - que originou o título desse texto - para que o sorriso sínico metamorfozicamente originasse gargalhadas! Eu não o culpo, eu estava rindo também e até o pobre Javier havia se rendido às piadinhas que envolviam numa suruba histórica a saudosa Evita Peron e o Rei Pelé!
   Do dicionário, preconceito significa: Conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério; Superstição. Da minha cabeça, nada de bom pode surgir como resultado de uma definição como essas, posso dizer que durante esses cinco meses conheci argentinos maravilhsos: divertidos, cultos e tão abertos a outras culturas como nós, brasileiros. Tá, também é verdade que conheci argentinos bem `mais argentinos` (brincadeirinha) ... mas o saldo é sem dúvida positivo! Talvez valha a pena dizer que eles são o povo da America Latina que mais se parecem com a gente, e isso vai além do futebol! Como eu já mencionei em outros textos por aqui, fiz grandes amigos argentinos, fui além do que estava pré concebido percebi que a população argentina não se resume aos velhos ignorantes portadores de cartões Platinuns verdes que habitavam a sala vip da American Express. Que pena aprender tudo isso só agora que todos eles, inclusive a Macarena, minha roommate, partem em duas semanas! Ahhh Boludos de mierda voy a extrañarlos! E quanto ao futebol, Eu, posso nao ser lá uma grande conhecedora de táticas futebolísticas, mas continuo acreditando que argentino deveria parar de fingir que joga bola e ir dançar tango! E quanto a nós, fazer gol ainda é o objetivo do jogo, os xingamentos não passam de um chute pra fora!
   Falando em futebol, meu irmão foi ao estádio com o meu pai hoje ... O timão ganhou mais uma vez!

[postado por Adriane - 11:37 PM]


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Sexta-feira, Abril 15, 2005

Fernando Pessoa explica...

   Depois de `gastar` os dois últimos dias fazendo hora extra no departamento de manutenção do hotel, me dei conta que a estação de ski em Winter Park fecha esse final de semana e eu acabo de perder a última chance de esquiar nesta temporada. Mas tudo bem, quem pensaria em esquiar diante da oportunidade de passar dezesseis horas em meio a velhos pervertidos com glândulas sudoríferas e sebáceas exaltadas e barbas por fazer? Quase tive um orgasmo construtivo cada vez que agarrei naqueles ferros e pulei de aindaime a andaime preenchendo buraco ou pintando parede! Algumas pessoas ficaram horrorisadas quando, num impulso proletário mencionei ter aceitado realizar tal labor, mas embora meus ombros não estejam mais no mesmo lugar e eu não mais sinta meus antebraços devido às quarto horas que passei arrancando prego de carpete de madeira, ganhei mais nesses dois últimos dias do que ganharei no resto da semana trabalhando no meu glamuroso posto de organizadora de casórios...
   Eu, juntamente com uma polaca, e dois velhos que se enquadram na descrição acima, construímos quase uma cabana inteira... carreguei móvies, montei beliche, consertei abajur, martelei de tudo (inclusive um dedo) e dei risada como um peão de obra. É incrível como esse pessoal tem história pra contar, durante dois break times diários regados a café e ovo cozido (fiquei fora desta orgia gastronômica) uma conversa paralela com qualquer um deles foi no mínimo duas vezes mais interessante do que o papo cansativo dos 'quase executivos' que habitam Business Office, um deles por exemplo, embora exalasse um cheiro que atravessava as montanhas do Colorado e quase chegava na fronteira com o México, havia sido duas vezes patrulheiro naval na Guerra do Viatinã e me contou, num vocabulário que eu nem sempre era capaz de decifrar, inúmeras de suas estratégias de guerra e toda a história de sua vitória pessoal no que foi a grande derrota da história dos EUA... A barba de outro, embora nem um pouco histórica era uma atração à parte, chegava quase no peito e era inexplicavelmente 'loira-castanha-grisalha' escondendo uma cicatriz decorrente de uma lata de cimento e uma irônia do destino... Que figuras curiosas encontrei neste tão abominado departamento!
   Hoje estou de volta ao ar condicionado, pensando no que a Macarena, minha roommate, costuma dizer ` todos los cambios son buenos' (em espanhol mesmo, porque ela não fala nenhuma outra língua!) e eu devo confessar que foi um alívio sair do escritório nesses dois dias... Posso ter a mão calejada, mas minha cabeça tá limpa, estou começando a achar que trabalho braçal faz bem pra mente, fora isso, devo ter perdido o triplo de calorías de um dia normal de trabalho, o que colabora para a minha tentativa frustrada de perder todos os muitos quilos que ja ganhei desde que me mudei para o rancho da montanha de neve.
   Talvez seja meio piegas e um tanto quanto contraditório citar Fernando Pessoa pra falar da rotina de um servente de pedreiro, mas se é verdade que o trabalho enobrece o homem, tudo deve mesmo valer a pena quando a alma não é pequena! Aposto que choquei a minha mãe e que agora vou ter que começar a trocar as lâmpadas queimadas quando voltar pra casa ... mas como diz aquele outro poeta famoso, o povo, 'PAGANDO BEM, QUE MAL TEM?'

[postado por Adriane - 2:47 AM]


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Sexta-feira, Abril 08, 2005

Enquanto isso num chat qualquer, no Website da minha cabeça...


Ela: Estranho se a gente se encontrar de novo ... vai ser na mesma época que a gente se conheceu no ano passado.
Ele: Não, já passou! Foi em março
Ela: Final de março! Mas a gente ainda estava saindo em maio ...
Ele: É, em maio ficamos juntos quase todos os finais de semana!
Ela: Achei! Foi dia 27 de março!
Ele: Achou??? Você não lembrava não??
Ela: Da data? nem ferrando! Olhei no meu blog ... tinha escrito sobre o show ...
Ele: Eu lembro!
Ela: haha, Sei!
Ele: Tá bom, adimito, é que está escrito na capa do dvd da banda...
Ela: Tá vendo? Pelo menos meu blog é uma coisa mais pessoal que uma caixinha de dvd!
Ele: Você está brava?
Ela: Tô, você nunca me emprestou o DVD!
Ele: Eu posso não lembrar da data, mas lembro de coisas melhores ...
Ela: Ah é? Do que você lembra então??
Ele: Lembro de te ver chegando e sentir que aquele show seria melhor que os outros... De você dançando com sua blusa decotada...
Ela: Ahhh do decote você lembra, né?
Ele: Lembro de cantar olhando pra você ... De você sumindo e aparecendo no meio da multidão... Engraçado, sabe que do show eu não lembro nada!
Ela: Mas fui eu quem começou a cantar e olhar pra vc!
Ele: haha, Sei!
Ela: É verdade, só parava de olhar quando não sabia a letra e tinha que imendar uns 'la-la-las'!
Ele: Eram muitos braços e cabeças por todos os lados, nem percebi!
Ela: Foi fenomenal... aquela felicidade... todas aquelas camisetas sendo giradas sob a minha cabeça, as garrafinha de água no chão... e você olhando pra mim!
Ele: Obrigada por estender a mão e me chamar pra dançar. Provou que eu estava certo desde o começo!
Ela: Como assim?
Ele: Aquele show foi mesmo melhor que todos outros!
Ela: Preciso voltar a trabalhar ...
Ele: Nos vemos em um mês, então?
Ela: Em um mês ...

   E qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!

[postado por Adriane - 6:33 PM]


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Segunda-feira, Abril 04, 2005

Em quatro meses de montanha de neve ....

   Aprendi que céu azul e sol brilhando não necessariamente significa temperatura positiva... Que quanto melhor eu esquio, mais feio eu caio... e que nenhum brasileiro tem idéia da felicidade que é comer uma bolacha Passa Tempo até passar um tempo nos EUA!
   Notei que, assim como comer banana, é imensuravelmente mais divertido ouvir música brasileira aqui do que era nas terras tupiniquins, que também existe gol em Futebol americano e que do mesmo jeito que eggplant num tem nada a ver com ovo, catfish não é um transgênico de gato com peixe ...
   Aprendi que quanto mais gente chega, mais gente vai embora e que o único lado bom de tudo isso é que vou esquiar no Chile e passar férias em Machu Pitchu de graça no ano que vem...
   Descobri, um tanto quanto perplexa que o resto do mundo come Mexirica achando que é laranja, que barriga e manchas roxas tendem a aparecer repentinamente no meu corpo sempre que chego na terra do Tio Sam e que embora 2.2 Kg signifiquem apenas um pound eu ainda preciso perder uns 10 desses!
   Mordi a língua e quebrei a cara quando olhei ao meu redor e cheguei a conclusão de que meus melhores amigos ou eram cariocas ou eram argentinos ... que aquele ceral coloridinho não é ruim quanto eu pensava se comparado a comida do Commons e que se eu não quero comer coisa calórica é melhor eu não sair do quarto...
   Adimiti que cross-country ski pode não ter tanta graça, mas que passa a ser divertido quando é de graça... que não saber dirigir vai ser um karma que vou levar comigo enquanto eu viver e aonde quer que eu vá e que se um dia eu for casar, vou escolher qualquer outro lugar que não seja o Snow Mountain Ranch...
   Percebi que ter ponto de interrogação e acento agudo no mesmo teclado é privilégio de poucos, que beijo na boca é relativo e que a minha saudade de casa é inversamente proporcional ao meu tempo livre...
   Descobri que a mesma paisagem que me encanta hoje pode me irritar a manhã... que o mesmo céu pode ser alegre e triste e que as noites mais bonitas são aquelas que precedem os dia mais frios!
   Descobri - ahhh sim, descobri, com manchas roxas e arranhões - que não existe nada de errado em cair depois que vc aprende a se levantar, que viajar é a melhor maneira de renovar a alma e destruir aconta bancária e que quanto mais lugares eu conheço, mais lugares eu preciso conhecer...
   Aprendi - depois de muito custo- que não existe um só lugar no mundo que seja perfeito ou uma só pessoa que não tenha um dia ruim... Descobri que é preciso abrir mão de algumas coisas pra se conseguir outras... e que assim como dizem os vigilantes do peso e os alcólicos anônimos devemos viver um dia de cada vez... e ser feliz, porque afinal, assim como no ski, não há nada de errado em cair depois que vc aprende a se levantar!

   Estou (de novo) feliz por estar aqui!

[postado por Adriane - 6:11 PM]


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Domingo, Março 27, 2005

One of THOSE days ...

   Depois do peso do abraço de despedida em mais um bocado de gente associado a uns goles de vinho branco barato encontrado em uma cabana qualquer do resort, eu já rolava na cama quando fui acordada de meia noite mal dormida por uma ligação da gerente geral querendo saber se eu havia resolvido o grande impasse pascoal do rancho da montanha de neve: O que fazer com uma capela cheia de hóspede e nenhum reverendo? Deve ser pecado cancelar este tipo de compromisso na véspera, e eu deveria ir diretinho pro céu por encontrar uma alma melhor que a minha que aceitou trabalhar no meio do nada em pleno feriado de páscoa...
   Manhã nostágica e de problemas, conversas profundas, lembranças e a música do Bael no meu Media Player me fez questionar se um dia, eu vou passar por isso sem me sentir dilacerada e estrupiada ao mesmo tempo... Menos mal que isso foi hoje, e hoje realmente não dava tempo de pensar em mim ou me dar ao luxo da melancolia, afinal, tinha que explicar pra dois casais enfesados que assim como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, dois casamentos não ocupam o mesmo lugar no Commons... Tentei dizer pra esse pessoal que casar deveria ser algo simples e sagrado, mas ainda assim, vi meu esforço de uma semana derretendo com a neve, educadamente não ouviram o que eu tinha a dizer ... não quiseram ao menos visitar os salões maiores e mais caros que eu sugeri como solução do impasse e obviamente seremos processados!
   Ontem comi carne... não lembrei que era sexta feira, quanto mais que era santa! Hoje, a comida do commons estava horrível: mashed potato e meatloaf engolidos às pressas devido à grande quantidade de pepinos como prato principal e embora eu odeie o gosto indefinido desse vegetal modorrento, confesso que hoje, só hoje, preferia lidar com sentido literal da palavra ... Um projetor de 5 mil dólares sumiu de uma sala de eventos ... Nenhum sucesso na procura dos deposit checks desaparecidos e no finalzinho de tarde, tiveram a capacidade de ligar pro Conference Office, pra relatar com seriedade tremenda que era vergonhoso o fato de deixarmos a neve derreter e criar tanta lama ... Pensei em sair correndo com meu secador de cabelos e secar tudinho antes que eles tivessem que sair de casa, mas meu estômago doía de pensar em mais um par de noivos que teria que enfrentar! Desconfio porque os mesmos têm tanta pressa em se casar, de certo é porque se merecem, tomara que tenham que passar uma vida inteira na compania um do outro (como eu sou mau, risos).
   E pra terminar... uma mensagem para aqueles que pestam atenção em tudo , por favor, prestem atenção redobrada nisso: O Azedinho existe pra que eu escreva o que quiser e você crie suas conclusões mirabolantes a respeito... Já não escrevo difícil justamente porque não gosto de explicar o que está escrito ... Sinceramente, me adimira que dentre todas as coisas boas que eu tenha escrito, a que mais te chamou atenção foi qualquer desabafo desesperado de um dia ruim. Foi UM DIA RUIM e no auge da minha egocentria, tudo que está escrito no post que você mais gostou é único e quase que exclusivamente sobre mim (não tenho olhos azuis)... Como este blog é altamente auto-explicativo, vou te contar uma histórinha:

   Ao ser questionado por uma senhora sobre o significado da sonata que havia acabado de tocar, Beethoven tocou-a novamente e disse: "Eis o que significa".

   Então antes de sair por aí especulando versões caluniosas saídas diretamente da sua mente criativa, ou de me perdir explicações sobre o que não tem o que explicar, LEIA O TEXTO MAIS UMA VEZ, eis o que ele significa!

[postado por Adriane - 12:09 AM]


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Quinta-feira, Março 24, 2005

O primeiro casamento a gente nunca esquece!

   Já no ensaio do dia anterior, pude notar uns tipos estranhos, uma molecada desviada e uma mãe desesperada, porque sua única filha estava para casar... como se isso não bastasse, a garota de apenas 20 anos espera um bebê. Esperem, eu disse um bebê? Não, não... na verdade, 3 bebês! Quais as chances de alguém engravidar de trigêmeos naturalmente com 20 anos de idade? Isto é no mínimo assustador!
   Aberrações à parte, o ensaio ocorreu bem, cuidei dos últimos detalhes, como microfones de lápela, um maldito hanger improvisado pra pendurar os vestidos, velas, aspiradores de pó e outras loucuras mais ... a mulher decidiu mudar o set up do salão de festas no último memento... "No problem, It is your day honey, you may do whatever you feel like doing! Take advantage of that!" (na verdade, aproveite-se do fato da sua mãe estar pagando uma fortuna pra que eu me finga de idiota e fique te bajulando nas próximas 24 horas)
   Overtime, entrei às 9 da manhã e às onze e meia o pessoal começou a chegar! O matrimônio deveria começar à uma, o que nunca aconteceu, já que mãe do noivo, tomou um porre e desapareceu! Tocador de gaita escocesa à postos... noivo, padrinhos, madrinhas noiva, todos já impacientes e a mãe do cara estava 'nowhere to be found!'
   Meia hora depois a mulher me aparece exalando um odor etílico, meio cambaleando ao lado de um cara usado saia e uma trança na barba já meio grisalha, deduzi que esse seria o pai ou algo do tipo... dei um chiclete de menta pra mulher e comçamos a apressar todo mundo pro início da cerimônia.
   De resto deu tudo certo... o garotinho que iria entrar com as alianças saiu correndo, com o nariz cheio de meleca e não havia Cristo que fizesse o rapazinho voltar pro seu lugar (mas se nem a marmanja da mãe do noivo se comportou, esperar que o mulequinho de 4 anos que havia acabado de sofrer uma cirurgia na cabeça parasse quieto era realemente pedir demais!) ... A coisa sonóra que saia da gaita escocesa parecia mais a marcha fúnebre do que a nupicial (e apenas acrescentando uma nota cultural: gaitas escocesas são mesmo famosas em funerais por aqui.)
   Pra terminar bem, o padrinho, que deveria ter os anéis em um caixinha, estava com ambos nos seus próprios dedos, que provavelmente eram um pouco mais gordos que os dos noivos, porque o anel deu uma emperradinha básica na hora H... blábláblá... blábláblá ..."you may kiss the bride" ... o piper tocou uma música felizinha (a única que não tinha cara de marcha fúnebre) e o pesadelo acabou... Digo, o meu, porque o daqueles dois coitados deve estar só começando!

[postado por Adriane - 6:12 PM]


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Quinta-feira, Março 17, 2005

Que praia que nada!

   Quase fazendo um buraco no fundo do poço, acordei às seis e meia da manhã, depois de umas quatorze horas de sono mal dormidas tentando tomar uma atitude desesperada a fim de melhorar gradativamente o meu (mau) humor.
   Coloquei minha calça recém-costurada pela Macarena (minha mais nova roomate, pois é... ela existe de verdade ... do Hit musical dos anos 90 diretamente para o meu quarto nas montanhas congeladas do Colorado!) e fui ao Commons tomar um super café calórico (ou seria um café super calórico?). Depois de uma passadinha no rental shop e já com meus skis (e um cappuccino roubado do coffee cart) nas mãos eis que entro no autobus (meus queridos, meu humor eu não sei, mas meu espanhól ... esse sim tá melhorando gradativamente!) rumo à estação de ski e aos piores tombos de toda a minha vida! Foi uma experiência inigualável, nunca, desde que cheguei, precisei tanto de uns tombos como precisava ontem!
   Levei meu discman à tiracolo e percebi que influência da música no comportamento humano é uma coisa no mínimo curiosa... foi só colocar o fonezinho no ouvido e já me sentia o Van Dame das neves... Fiz blue blacks e black diamonds... e acredito não ter encarado as double blacks pelo simples fato de não ter a trilha sonora adequada! Arruinei minha bunda e renovei meu espírito! Voltei pra casa toda queimada, e qualquer pessoa que diga que sol de menos 20 graus não queima de verdade deveria receber uma foto Polaroid da minha cara nesse momento!
   De certa forma foi estranho subir o lift sem o Arditti com a barba congelada e o Spil se gabando de como esquia bem a vera ... mas em honrrosa memória de meus companheiros (que já se encontram de volta ao aconchego carioca de seus lares!) caí bonito... não apenas de bunda como já me é de costume ... Desta vez inovei mesmo, tombos nunca vistos na história da montanha de neve! Exausta e feliz, no que deve ter sido uma das últimas aventuras de ski desta temporada, redescobri o que este lugar tem de melhor... Skiar sozinha é muito menos entediante do que eu pensava... São milhares as opções e oportunidades ... posso parar pra arrumar meu cabelo quantas vezes eu quiser sem ser xingada a cada 5 minutos, também dá pra cair na frente daquele snowboarder maravilhoso e pedir socorro, além de engatar milhares de lift talks ... sem mencionar os flerts (vixe, chama a sua vó pra traduzir essa parte!) com o lift operator de olhos azuis e origem desconhecida!  Nem lembrava que era possível me divertir assim ... mal posso esperar pela próxima folga!

[postado por Adriane - 12:05 AM]


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Sexta-feira, Março 11, 2005

I am looking for a friend to borrow


   Sentada na cama em meio a bagunca desinfreada de um quarto hotel, era difícil entender como tamanha empolgação havia repentinamente se transformado em melancolia. Pela janela avistava um céu que já fora mais atraente. Leventou. De relance, no espelho, viu refletir uma figura que não era, nem de longe, a mesma pessoa que chegara ali meses atrás (Não me reconheci).
   Queria fazer mudar tudo, queria voltar a dormir! Seus amigos (ou pelos as pessoas que mais chegavam perto disto) estavam indo embora. Alguns faziam as malas, os casais permaneciam trancados nos quartos a fazer juras de amor que durariam vinte e quarto horas. Invejava a tristeza que não conhecera. Perder alguém não poderia ser mais triste do que nunca ter tido!
   A realidade era mais fétida que sua velha bota de couro enlamaçada jogada num canto qualquer. (seria isso possível?). Começou a chorar, mesmo sabendo que ninguém estava lá pra ouvir. Olhou no espelho mais uma vez. Nada havia mudado! (espelhos não fazem milagres, apenas invertem o lado da sua espinha). Espelhos falam, pelo menos o dela falava e disse refletido num rosto inchado que ela nunca estivera em pior forma (meu espelho tinha vergonha de mim!).    Tomou banho de olhos fechados (que maneira eficiente de não enxergar a realidade!) fechou a janela, secou com o travesseiro uma última lágrima cheia de arrependimento e carboidratos... horas depois, finalmente adormceu!

   Sei que sou egoísta de guardar NYC e Vegas só pra mim ... prometo escrever quando sentir que devo!

[postado por Adriane - 5:54 PM]


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Terça-feira, Março 01, 2005


  Amanhã à noite embarcamos em 11 pessoas pra Las Vegas! Antes de enchermos a cara e perdermos todo nosso dinheiro nos cassinos, faremos uma parada no Grand Canyon para o nascer do Sol mais bonito dos Estados Unidos. Mal posso esperar, tenho vontade de caminhar naquele lugar desde que me entendo por gente e tenho pernas (risos). Estarei imendando 10 dias de trabalho entre a viagem de NYC e esta, justamente por tal motivo ainda nao sobrou tempo pra escrever sobre NYC como eu queria. E convenhamos, uma cidade daquele tamanho merece um post à altura (aih Meu Deus, tem que ser muito alto!)
   Como todo mundo só sabe pedir por esse post, assumo, portanto, minha incopetência em administrar e contabilizar meu tempo livre e no auge de meu plágio literário, deixo vocês com um texto do Diogo (Fernandes New Yorker, como ele gostaria de ser chamado).
   O Diogo é mais que um morador das montanhas, ele já é parte integrante do Snow Mountain Ranch, quase tombado como patrimônio da humanidade pela UNESCO, daqueles que vem incluso no pacote... é sempre assim, quando vou anunciar as atrações do resort digo: temos mini golf, parede de escalada, rafting, o Diogo entre outras coisas (risos)

   Di, adorei o texto, obrigada por me deixar publicar!

Querida Nova York,

   Você me foi um espanto! Em um dia nublado, um de neve e três dias de sol, você me mostrou o que te faz ser tão visitada e aclamada. E as lentes das minhas câmeras foram pequenas para registrar teu espetáculo. Teu rosto brilha, teu corpo é inquieto pelas 24 horas do dia. É um sonho de cenário.
   Talvez se viesse como um turista a fotografar teus pontos famosos e a urinar em teu jardim, eu não teria nunca te conhecido. Preferi, de ousadia de mochileiro, me deslizar em tuas veias onde os taxis fazem correr teu sangue amarelo dentro dos detalhes de tua beleza. São Paulo me criou gente grande para eu não me perder da 5th Avenue ao Bronx. Caminhei tanto, que no último dia era eu a dar informações sobre teus destinos. Mas ainda que seja preciso olhar nos olhos da tua estátua, a princesinha que traz o mundo aos seus pés e ainda que seja preciso enfiar a cabeça por entre as grades de proteção do Empire State para espiar o sangue amarelo correndo lá do teto, serei compreendido ao narrar minhas histórias dos 5 dias em que vivi dentro do teu organismo. Vivi um mundo único. Seria um residente eterno, John ainda é.
   Você tem um oceano, dois rios e mil idiomas para curar a ferida que te causaram ao sul da ilha. E mesmo que nunca cicatrize, aquele buraco não te fará ser menos alta. Por mais que construam prédios, minha querida, por mais que nasce gente na Malásia, na China ou no Japão, você será para sempre a mais alta. Para sempre, a maior cidade do mundo.


[postado por Adriane - 2:01 PM]


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Sábado, Fevereiro 26, 2005

Mais que uma viagem a negócios e uma orgia gastronômica!


   Domingo, enquanto todos se preparavam para mais um jantar horroroso no Commons eu entrava no shutle com destino à Denver. Foi nostálgico andar sozinha no aeroporto arrastando minha própria mala a procura do portão onde o shutle do hotel estaria me espernado... 5 minutos depois, começava uma orgia hoteleira e gastrnômica que só termaria uma semana depois. Passei a primeira noite em Denver, cheguei em Minneapolis ainda pela manhã. Minnessota é conhecido pela grande quantidade de lagos e eu realmente vi vários, porém mais do que lagos, o que eu mais vi foram alces! Havia um alce em cada esquina, alces de pelúcia, esculturas de alce, suvenirs em forma de alce e por aí vai... onde quer que eu olhasse era possível avistar um par de chifres!
   Mais uma vez dentro do avião e eis que chego em Michigan, também cheio de lagos, que seria muito mais interessante se eu estivesse próximo ao Lake Superior, mas sabe como é, né? Viagens a negócios são assim mesmo, nunca escolhemos o destino. Entao fui parar em Grand Rapids, uma cidadezinha - não, peraí, quem mora em Winter Park, CO nao tem envergadura moral pra chamar Grand Rapidis de cidadezinha... eles tem ateh shopping! Enfim, nos alojamos em uma casa de hóspedes dentro de uma universidade, o meu trablho era basicamente recrutar estudantes para trabalhar no resort durante o verão, o que nao foi uma tarefa muito empolgante. Mesmo assim, me sentia parte integrante de um desses teen movies em meio a mochilas, armários, nerds e jogadores de futebol americano... a cada passo eu encontrava alguém e podia jurar que tal sujeito já tinha estrelado ou era coadjuvante em 10 coisas que eu odeio em você... tinha uma gordinha, que se nao fosse a mesma, com certeza tinha uma irma gêmea no filme!
   E se trabalhar nao era lá das tarefas mais divertidas, a hora do almoco era praticamente um acontecimento histórico... eu posso não conhecer Michigan como deveria, mas definitivamente, conheco cada restaurante caro que existe no território da pequena Grand Rapids... De comida mexicana à lagosta, de sorvete de creme à bebida mais cara do menu... é ainda mais saboroso comer quando tem alguém pagando a conta! Eu já estava até acostumada, abria o menu passava quase quinze minutos olhando e não entendia nada do que estava escrito, pedia qualquer coisa baseada em uma palavra chave como `steak`, evitava a palavrinha inimiga número um da comida norte americana `spicy` e rezava pra que o resto fosse bom... tirando um bife maravilhoso que veio coberto de feijão e bolo de milho (ainda não entendo como puderam cometer tal sacrilégio com um bifão daqueles!) no restaurante cubano, me dei bem em todas as outras vezes!
   Uma semana depois, com milhares de ammenities na mala, me despeço do último hotel e embarco novamente pra Minnessota, desta vez, apenas para uma rápida conexão, cujo destino final seria o Aeroporto Internacional de Denver, onde encontraria mais seis pessoas empolgadérrimas ... o destino agora: Nova York City!

   Preciso de muito mais tempo pra escrever sobre isso, aguardem o próximo post, enquanto isso, as fotos já estão disponíveis no álbum www.ofoto.com, podem usar meu login e senha para acessá-las adriane_romero@hotmail.com, a senha é colorado!

[postado por Adriane - 1:51 PM]


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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005

Deixa estar ...


Com uma rotina completamente alheia a que eu estava acostumada e uma infinidade de acontecimentos, lugares e pessoas, é uma vergonha que eu fique tanto tempo sem atualizar o Azedinho. A verdade é que passar horas escrevendo crônicas non sense não me parece mais tão atraente agora que tal tarefa deixou de ser remunerada. Comecei dando prioridade às tarefas básicas, como skiar, ir pra balada, ficar de bobeira e o blog acabou por ser abandonado paulatinamente.
Depois de dois meses nas montanhas, já estou quase me acostumando a ter o cabelo congelado, a boca rachada e o coração apertado. Agora que nada mais aqui é novidade, e aquela excitação do começo já se foi, posso dar um depoimento imparcial sobre o rotineiro cotidiano no rancho da montanha de neve. A vida aqui é um misto de BBB e no Limite. Big Brother porque estamos isolados do mundo, sempre com as mesmas pessoas, e embora todo mundo pareça seu amigo, você ficaria surpreso se soubesse o que andam falando de você em outros cômodos por aí... A comparação com o No Limite é baseada na comida que nos é servida diariamente e que bastante se assemelha ao olho de cabra e 'cérebro de sei-lá-o-que' que os participantes eram convidados a saborear no seriado. Não é exagero, a comida aqui é igual a modelo e manequim, tem até um visual bacana, mas nenhum conteúdo... e se por algum motivo desconhecido ela exalar um cheiro bom, vá em frente e processe o cozinheiro por propaganda enganosa. Tire proveito de estar em um país onde a arte de processar rende mais que a poupança!
Por mais que o tempo não passe, ele passa tão depressa. Os dias parecem os mesmos e o calendário cristão foi substituído pelo schedule de trabalho, no qual tudo que importa, são aquelas 3 letrinhas (OFF - Out For Fun!) que indicam que nas próximas 24 horas os seres, cristãos ou não, podem abandonar seu blue e seu rag, parar de lavar louça ou de se perder em meio a perguntas de noivas estéricas (esse é o meu caso, especificamente) pra se esbaldar no que o Colorado tem de melhor: as montanhas!


Não importa se as pessoas conseguem parar em pé ou não, skiar é sempre divertido, seja por causa do vento no rosto e do frio na barriga, ou simplesmente pelo tombo que seu amigo iniciante acaba de levar bem na sua frente (se ele derruba a placa, que ironicamente dizia 'slow down' a diversão garantida é quase que triplicada).
De noite, as opções de baladas se resumem ao Buckets! O que você esperaria de uma balada que se chama 'Bacias'? Pois é, essa versão baladística Hi Tech consiste em uma 'lavanderia-bar-fliperama-karaokê' que tá sempre lotada de gente de tudo quanto é canto (de vez em quando tem até uns americanos perdidos lá no meio). Porém, se as opções de balada são poucas, as de reunir a galera são incontáveis... Aqui todo mundo tá sempre junto, seja para tortura gastronômica social que acontece 3 vezes ao dia, pra baixar toneladas de kbytes de fotos no RAC, ou pra um jogo de qualquer coisa no Kiva, o importante é não ficar de bobeira, ou pelo menos, não ficar de bobeira sozinho!
Muita coisa aconteceu nas últimas semanas, as coisas no RAC sem o chap (que foi mandado embora repentinamente) não são mais as mesmas... e o que melhorou em organização, piorou imensuravelmente em flexibilidade. Eu estou trabalhando muito mais e sinto que agora estou mesmo por dentro do que acontece por aqui. Gosto desse novo jeito, e se não fosse o fato de ter que me mudar pro Conference Office e pela falta de doces e regalias gastronômicas no Grill eu estaria 100% satisfeita!


No último sábado, paramos de trabalhar às cinco da tarde, colocamos a mochila nas costas e seguimos em direção às competições de inverno do X Games, em Aspen. Durante as quatro horas de viagem, conhecemos três cidades diferentes e deliramos pensando nas limosines, casacos de pele, mansões e atores holywoodianos que estaríamos prestes a encontrar. Ao chegarmos, a visão de uma cidadezinha pacata e congelante, com ruas de tijolinhos e lustres redondos, nem de longe se comparava a glamurosa versão da minha mente hypercriativa! De qualquer jeito, foi divertidíssimo! Na montanha de competições, um clima de litoral em época de carnaval, muita gente, um show a céu aberto com direito a manobras radicais ao som de punk rock e dezenas de caras, que embora não fossem, podiam se passar por atores de holywood de tão good looking que eram!
Viajar com pessoas sociáveis e de contatos é outra coisa, conhecemos uns dotores catarinos e ficamos na casa deles completamente grátis, rolou uma baladinha e no dia seguinte metade da turma foi esquiar e a outra passou o dia no X Games, com todo um estilo 'festa junina', vários stands onde era possível ganhar de desodorante a prancha de snowboard... Bom, prancha de snowboard num ganhei não, mas desodorante, vixe! Pode crer que eu tenho o suficiente pros dezoito meses! Saímos de lá por volta das seis, uma parada rápida pra encher o corpo de calorias num fast food qualquer e logo estávamos em solos winterparkianos... voltar pra casa é sempre bom e estranho, mesmo que a casa da gente não seja literalmente a casa da gente, e duas horas depois, de banho tomado, estava na minha cama, delirando, viajando nas possibilidades e criando versões hypercriativas para os meus próximos destinos, que eu não precisava citar aqui, mas vou fazê-lo, pra matar a todos de inveja: Michigan, New York, Grand Canyon (Arizona) e Las Vegas (Nevada), baby!

Cada dia mais apaixonada por esse lugar... encerro este humilde, mas sincero post (risos)


[postado por Adriane - 10:46 PM]


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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005




SAUDADES!!!


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."


(Pablo Neruda)

[postado por Adriane - 4:27 PM]


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Sábado, Janeiro 08, 2005

Feliz Ano Novo!!! Happy new year!!! Feliz ano Nuevo!


   "Ano Novo, vida nova!" é o que se costuma dizer quando um ano se inicia. Mas confesso que se 2005 for igualzinho 2004, não irei, em hipótese alguma, abrir minha pequena boca, pra reclamar ou desejar que fosse diferente! Aqueles poucos que tiveram paciência e boa vontade de acompanhar esse primeiro ano de Azedinho, sabem que 2004 foi um ano mais do que doce! Pois é, um ano desde que o primeiro texto deste blog foi escrito, pra aqueles que lembram (tá, ninguém deve lembrar), mas eu comecei 2004, reclamando num texto enorme de um humor cinza, quase negro, que atraiu atenção até de quem não devia. Embora eu ainda ache que aquele foi um dos melhores posts de toda a história, fico feliz por começar 2005 muito mais feliz, muito mais completa e um pouco (bem pouquinho) menos reclamona! Neste exato momento, bem na minha frente, através da janela, milhares de pinheiros branquinhos de neve, um céu azul e alguns transeuntes encapuzados que passam pra lá e pra cá, Sister Hazel Rolando no Media Player e milhares de boas lembranças de um ano, que com certeza, tem um lugar todo especial no disco rígido da minha vida!
   Afinal agora estou formada, e não apenas formada, mas formada com direito a TCC premiado e o privilégio de passar pelo ano universitário mais turbulento de todos, sem nenhuma dor de cabeça. 2004 foi um ano de novos amigos, e não apenas novos, mas verdadeiros amigos desses que longe ou perto serão pra sempre (que saudade de vocês!), foi um ano de Disney Magic verde e amarela, de baladas e beijos... Foi o ano em que eu dei a volta por cima, que perdi a vergonha, e que cresci mesmo continuando do mesmo tamanho! Foi o ano de Floripa, de Brasília e de Winter Park! Foi um ano de clube, de sorrisos, de sol e de neve, um ano de baladas de sábado a noite e de domingos de trabalho, foi o ano de nadar, de esquiar, pingpongear e snowboardear! Foi o ano de deixar o Brasil sem derrubar uma lágrima e com o meu próprio dinheiro, digam o que quiser, 2004 foi o meu ano!
   Começar 2005 aqui no rancho, só me faz ter certeza de que muitas coisas boas ainda virão e de que não vale a pena choramingar e fechar a cara, porque no final, a gente percebe, que até o que aconteceu de ruim, foi bom, de uma maneira ou de outra! É tão bom quando tudo se encaixa! Quando de noite eu fecho os olhos e não me vejo em outro lugar que não seja aqui! A cada dia me apaixono mais pelo lugar, pelas pessoas , pelo meu emprego e pelas milhares de possibilidades que aparecem de uma hora pra outra! Enfrento pelo menos uma coisa que me assusta por dia, me supero a cada dificuldade que encontro, mesmo que eu pareça idiota e repita no telefone: "Sorry can you spell your e-mail address one more time?" (pela quinta vez consecutiva!) ou tenha que sair correndo de terninho pra picar bróculis porque, inexplicavelmente todo o pedido de comida pra aquele evento enorme que estou organizando não ficou pronto. Um desafio é sempre um desafio, mesmo que seja pra rolar montanha abaixo com a minha prancha de snow, passar a ceia de natal a pipoca sabor peru e chocolate quente ou comer 1000 calorias de junk food por refeição no Commons todos os dias! Eu gosto daqui mais do que achei que fosse gostar... Gosto dos olhos azuis, do céu estrelado e dos narizes vermelhos... Gosto dos esquilos e da neve, do barulho e da bagunça das minhas roommates, gosto de falar inglês e de viajar no meio dos latinos falando espanhól o tempo todo! Gosto de ter o Diogo por perto, de sair de balada com a Gaby, de tentar me comunicar com o Andreas e de dançar com o Josh... Gosto de falar português com os brasileiros e de ensinar os gringos a falarem palavrão na minha lingua! Gosto de andar de patins do Kiva, de jogar ping pong e de tentar (inultilmente) jogar futebol! Gosto de cada parte do meu dia, mesmo que isso signifique lavar a minha própria roupa, ficar longe da civilização tomar banho de manhã e percerber que meu cabelo parece o do cebolinha, porque eu fui esperta o suficiente pra sair com ele molhado e vocês sabem o que acontece com a água em temperatura negativa, não é mesmo? Pois é, congela e acreditem, começar a trabalhar às 7 da manhã com um cabelo pior que canecalon não é um das experiências que eu mais aprecio com relação ao rancho!
  Então é isso, a vida aqui não é fácil, mas não posso ser hipócrita e dizer que é difícil, quando as coisas simplesmente fluem! Ficaria minha vida toda aqui se pudesse e traria todo mundo pra cá pra que tudo ficasse perfeito! E não mudaria nada! (com excessão da comida, do valor do meu pay check e da minha barriga que começa a crescer!) Preciso criar vergonha na cara e parar de comer, fazer uns overtimes e uns abdominais, mas de resto, I couldn't be better! Viu mamãe? Não se preocupe, o tio Sam tá me tratando direitinho!!!

[postado por Adriane - 1:27 PM]


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Domingo, Dezembro 12, 2004

Wild Colorado: foxes, wolves and brazilians!



   Eis que decido dar um sinal de vida do meio da montanha, quase uma semana depois do último post! Muita coisa aconteceu e insisto em dizer que o tempo é curto demais pra relatar tudo aqui!
   Nos últimos dias, me deparei com o primeiro animal selvagem desde que cheguei, (sem contar com o Diogo, é claro, porque ele eu já estou quase cativando!), enfim era uma raposa! Esqueçam essa imagem de animal perigoso e arisco que lhe veio à cabeça, andado no meio da neve, parecia mais um gatinho do que qualquer outra coisa! Me disseram que esta foi só a primeira de muitas e que alces e esquilos estão por vir!
   A festa de natal foi bem peculiar, teve lá sua parte engraçada, músicas de todos os países, comida um pouco menos pior que a do Commons e músicas natalinas desafinadas no karaokê! Como tudo neste país, acabou muito cedo, então fomos pro Buckets, uma balada em Winter Park, na qual você pode tomar umas biritas e fazer laundry (isso mesmo, lavar roupa) no mesmo lugar, e se quiser, dá pra dançar hip hop e jogar video game, ou ainda, cantar no karaokê enquanto paquera aquele cara de nacionalidade não definida do outro lado do bar... os donos do Buckets realmente entendem o significado da palavra diversidade e lá é possível encontrar um pouquinho de quase tudo!
   Profissionalmente, encarei meu primeiro casamanto hoje, nada muito glamuroso, umas 20 pessoas em uma capela no meio da montanha, clássico e bem simples, como eu já disse, as coisas neste país acabam muito rápido, em menos de 15 minutos já rolou um "you may kiss the bride!" e todos viveram felizes para sempre! Estou cansada, ainda não tive folga desde que cheguei, não sei quando terei! Mesmo assim, acaba sobrando tempo pra ir na piscina, jogar uma coisa ou outra e conhecer muita gente: de keniano a tailandês, o YMCA tem amigos pra todos os gostos!
   Como nem tudo nesta vida é glória e sucesso absoluto, em meio a amigos e conquistas, também existem os tombos, literalmente, e devo admitir, mesmo que não me orgulhe disso, que este fatídigo acontecimento, me deixou com as calças molhadas